Sobre uma deficiência

Hoje vim aqui compartilhar uma inquietação.

Nesse semestre estou cursando várias disciplinas que dizem respeito ao Brasil. Na antropologia, na sociologia, na ciência política, na história e na economia os textos tem como objeto o Brasil, procurando interpretá-lo, compreendê-lo ou explicar alguns de seus problemas. Tenho a impressão de que a grande maioria das interpretações sobre o Brasil, e principalmente sobre a formação do país, repousam sobre as análises econômicas. Isto é, a economia é a chave básica para uma compreensão, ou pelo menos uma interpretação, de alguns aspectos da história e da formação do Brasil.

Lendo Florestan Fernandes hoje me dei conta de algo que julguei interessante, e que talvez seja recorrente dentro da minha turma. Esse autor, assim como muitos outros que constituem a bibliografia das nossas disciplinas nesse semestre, utilizam-se massivamente de análises econômicas que são macro, isto é, dizem respeito a grandes períodos de tempo e se interessam por “estruturas”, são caracterizadas por um nível de abstração bastante alto.

Me parece que em determinado momento, antes deste semestre, eu deveria ter tido contato com o método que a Economia utiliza, isto é, saber como os economistas conseguem obter essas análises “estruturais”, quais são as ferramentas que utilizam, a partir do que eles constróem suas abstrações.

Possivelmente, esse momento teria sido a disciplina “Economia política”, do primeiro semestre do curso de Ciências Sociais, aqui da UFSCar. Contudo, mesmo a tendo cursado, sinto falta dessa minima noção do método da Economia. Acredito que essa noção ajudaria muito a compreender os textos das disciplinas desse semestre. Visto que por serem análises “estruturais”, ou macro, exigem um alto grau de abstração e outras técnicas que eu não domino.

Sobre professores, e talvez sobre conhecimento, ciência e parcialidade

Recentemente reparei que os professores, ou pelo menos a maioria dos que tive contato, transmitem um conhecimento que é em alguma medida parcial. E não sei se com isso estou dizendo alguma coisa ruim.

Acredito que todo tipo de ciência é constituído a partir de uma perspectiva específica, e isto determina grande parte do que este conhecimento pode revelar sobre seus objetos.

Contudo, grande parte da minha vida eu encarei tudo o que os professores diziam como verdades e nem sempre procurei tentar entender o por quê de eles estarem dizendo o que diziam da maneira como diziam. Mas tenho percebido que me desenvolvi em algum grau nesse sentido.

Desde que entrei na Universidade tenho conseguido perceber melhor meus progressos, contudo, não sei se os progressos que tive foram só por causa da Universidade.

Neste caso dos professores, tenho conseguido perceber melhor que o que eles dizem não é toda a história, não é toda a verdade, é apenas uma perspectiva que a ciência fornece da realidade.